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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Sensacional resposta a uma muçulmana

No dia 11 de Setembro de 2012, o embaixador dos Estados Unidos da América na Líbia, John Cristopher Stevens e outros três funcionários americanos, morreram num ataque ao consulado americano em Benghazi, durante um protesto de homens armados contra um filme, "O julgamento de Maomé", que foi considerado ofensivo ao Islão.
Num debate sobre este ataque, uma estudante muçulmana, Saba Ahmed, chama a atenção para o facto de nem todos os muçulmanos serem maus.
A jornalista e comentadora política americana, Brigitte Gabriel, uma das maiores especialistas em terrorismo do mundo, dá uma resposta que exige uma reflexão profunda e que passo a transcrever:

Saba Ahmed: "Salaam aleikum. Paz a todos vocês. Meu nome é Saba Ahmed, eu sou uma estudante de direito na American University. Eu estou aqui para fazer uma pergunta simples a vocês. E eu sei que nós retratamos o Islão e todos os muçulmanos como maus, mas há 1.8 biliões de muçulmanos seguidores do Islão, temos mais de 8 milhões de americanos muçulmanos neste país, e eu não os vejo representados aqui. Mas minha pergunta é: como podemos travar uma guerra ideológica com armas? Como podemos terminar essa guerra? A ideologia jihadista de que vocês falam é uma ideologia. Como podemos vencer essa coisa se vocês não a endereçarem ideologicamente?

Brigitte Gabriel: "Óptima pergunta! Eu estou tão feliz que você esteja aqui e muito feliz por ter levantado essa questão, pois nos dá uma oportunidade para responder. O que eu acho incrível é que, desde o início deste debate, nós estamos aqui para tratar do ataque às nossas pessoas em Benghazi e nem uma única pessoa mencionou muçulmanos, que estamos aqui contra o Islão ou que estamos a lançar uma guerra contra muçulmanos. Estamos aqui para discutir como quatro americanos morreram e o que o nosso governo está a fazer. Não estamos aqui para falar mal de muçulmanos. Foi você quem levantou a questão sobre muçulmanos, não nós. Mas já que você levantou, permita-me elaborar a minha resposta.
Há 1.2 biliões de muçulmanos no mundo hoje. Claro que nem todos são radicais. A maioria deles são  pessoas pacíficas. Os radicais são estimados entre 15 a 25%, de acordo com todos os serviços de inteligência ao redor do mundo. Restam 75% de pessoas pacíficas. Mas quando você considera 15 a 25% da população muçulmana, você está a olhar para entre 180 a 300 milhões de pessoas dedicadas à destruição da civilização ocidental. É tão grande quanto os Estados Unidos.
Então, porque nos deveríamos preocupar com os radicais, 15 a 25%?
Porque são os radicais que matam. Porque são os radicais que  decapitam e massacram.
Quando você olha através da História e para todas as lições de História, a maioria dos alemães era pacífica. Mesmo assim, os nazistas conduziram a agenda. E como resultado, 60 milhões de pessoas morreram, 14 milhões em campos de concentração, 6 milhões eram judeus.
A maioria pacífica foi irrelevante.
Quando você olha para a Rússia, a maioria dos russos era pacífica também. Mesmo assim, os russos foram capazes de matar 20 milhões de pessoas.
A maioria pacífica foi irrelevante.
Quando você olha para a China, por exemplo, a maioria dos chineses era pacífica, também. Mesmo assim, os chineses foram capazes de matar 70 milhões de pessoas.
A maioria pacífica foi irrelevante.
Quando você olha para o Japão antes da segunda guerra mundial, a maioria dos japoneses era pacífica, também. Mesmo assim, o Japão foi capaz de abrir o seu caminho como um açougueiro através do sudeste asiático, matando 12 milhões de pessoas, a maior parte delas com baionetas e pás.
A maioria pacífica foi irrelevante.
No dia 11 de Setembro de 2001, nós tínhamos 2.3 milhões de muçulmanos árabes a viver nos Estados Unidos. Bastaram 19 sequestradores, 19 radicais, para colocar a América de joelhos, destruir o World Trade Center, atacar o Pentágono e matar quase três mil americanos naquele dia.
A maioria pacífica foi irrelevante.
Logo, por todos os nossos poderes da razão e nós a falar sobre muçulmanos moderados pacíficos, estou feliz que você esteja aqui, mas onde estão os outros para se manifestarem? Já que você é o único muçulmano representado aqui, você aproveitou a oportunidade e, em vez de falar sobre porque o nosso governo...Eu estou a assumir...Você é americana? Você é uma cidadã americana? Então, como uma cidadã americana, você se sentou neste recinto e, em vez de se levantar e perguntar algo sobre os nossos quatro americanos que morreram e o que o nosso governo está a fazer para corrigir o problema, você se posicionou aí para defender a ideia de muçulmanos moderados pacíficos.
Eu queria que você tivesse trazido dez com você para perguntar como podemos fazer nosso governo responder por aquilo.
Está na hora de pegarmos no politicamente correcto e deitá-lo ao lixo, que é onde merece estar.






sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Joni Bakaradze

Joni Bakaradze morreu com apenas 22 anos.
A família recusou-se a enterrar o jovem, que deixava para trás um bebé de 1 ano.
A mãe, Tsiuri Kvaratskhelia, decidiu mumificar o corpo e continuou a tratar do corpo e a aperfeiçoar as técnicas para manter o filho preservado.
Nos primeiros anos, a mãe de Joni usava técnicas tradicionais para preservar o corpo, mais tarde, começou a utilizar os seus próprios métodos, esfregando álcool embebido em algodão no corpo do filho.
Diz que enrolava o corpo, durante a noite, em lençóis, para a pele não ficar negra.
Nunca deixou passar um dia sem tratar do corpo do filho, nos últimos 18 anos, altura em que o caso ficou conhecido (2013) e todos os anos, no aniversário dele, trocava a roupa da múmia por um conjunto novo.
Diz que a principal razão para ter tido este trabalho todo, foi o seu neto: "Eu acredito que ao ver o corpo, o meu neto é capaz de amar o pai".
O corpo teria sido mantido num caixão com uma pequena janela no topo.

Elissa Wall

Nascida e criada numa seita mórmon no estado do Utah, Estados Unidos, Elissa foi educada nas normas da chamada Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que sendo uma dissidência dos mórmons tradicionais, prega a vida em famílias poligâmicas.
Segundo a seita, quanto mais esposas um homem tiver, mais ele será abençoado e para a mulher, o casamento é o único caminho para a salvação.
A poligamia é uma prática proibida pelas leis americanas, o que fazia com que a seita mantivesse um rígido controle sobre os membros, pois uma única pessoa poderia denunciá-los.
Foi o que aconteceu com Elissa e outros jovens seguidores.
Elissa foi ensinada a ser obediente, não ter contacto com pessoas que não fossem da mesma igreja, porque eram impuras, e a não questionar os ensinamentos da religião.
Em 2007, Elissa se revoltou e denunciou o seu líder, Warren Jeffs, que já era um dos dez homens mais procurados pelo FBI.
Foi condenado a 10 anos de prisão por abuso de menores e como cúmplice de violações.
Com o seu testemunho, Elissa revelou o dia-a-dia dos 10 mil membros da seita que viviam isolados entre os estados do Utah e do Arizona.
Elissa escreveu um livro, "Inocência roubada", com a ajuda da escritora Lisa Pulitzer, onde nos narra sobre o seu casamento, aos 14 anos, com Allen, seu primo em primeiro grau.
O casamento foi realizado, de forma clandestina num motel, pelo líder da igreja.
Ela conta também que foi prisioneira e teve dois abortos provocados por agressões físicas e abusos sexuais.
Hoje, Elissa Wall está casada com um ex-membro da igreja, tem dois filhos e permanece sem ver a mãe, Sharon, desde 2007.
Sharon reprovou o comportamento de Elissa e continua fiel à sua seita.
Elissa Wall

Warren Jeffs

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mary Bell

Mary Flora Bell nasceu no dia 26 de Maio de 1957, em Newcastle, Inglaterra.
Sua mãe, Betty Bell, era solteira, prostituta e mentalmente perturbada.
Mary era constantemente humilhada pela mãe por urinar na cama; esfregava a cara da filha no colchão molhado e colocava-o do lado de fora da porta para todos os vizinhos verem.
Beth costumava aplicar severos castigos na filha: entupi-a de medicamentos, negligenciava Mary para que ela tivesse acidentes e forçava-a a ter sexo com os seus clientes desde os 4 anos de idade, facto que durou até aos 8 anos.
Com o tempo, Mary começou a maltratar animais com frequência, espancava e cortava as bonecas e tentou enforcar quatro colegas da escola, vandalizou a escola e incendiou a casa.
No dia 25 de Maio de 1968, prestes a completar 11 anos, asfixiou Martin Brown de três anos de idade e atirou-o do segundo andar de uma casa.
Dois meses depois, matou Brian Howe com quatro anos. Após estrangular o menino, perfurou as coxas, os genitais e a barriga, onde deixou gravada, com uma lâmina de barbear, a letra M.
Foi considerada culpada de homicídio em 17 de Dezembro de 1968.
Nos seus diagnósticos, psiquiatras descreveram sintomas clássicos de psicopatia. Disseram que ela era inteligente, manipuladora e perigosa.
Foi libertada no dia 14 de Maio de 1980, quase com 23 anos.
Arranjou um emprego como empregada de mesa, casou e teve uma filha em 1984.
Em 1998 foi publicada a sua biografia sob o título "Gritos no vazio" escrito por Gitta Sereny, uma jornalista que tinha acompanhado todo o julgamento.
Em 2002, Mary recorreu ao tribunal para solicitar que a sua nova identidade e morada fossem mantidos em sigilo para sempre, a fim de proteger a sua filha.
Surgiu, então, no dia 21 de Maio de 2003, uma lei chamada "Ordem de Mary Bell", que protege a identidade de qualquer criança envolvida em procedimentos legais.
Mary Bell
                                                             
Martin Brown
                                                           
Brian Howe

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Elizabeth Smart

O pesadelo de Elizabeth Smart começou aos 14 anos, na madrugada do dia 5 de Junho de 2002, quando Brian David Mitchell a arrastou do seu quarto em Salt Lake City, no Utah, Estados Unidos.
"Meu quarto era, para mim, o lugar mais seguro do mundo até acordar a meio da noite com um estranho em cima de mim e com uma faca encostada à garganta. Cresci num lar muito feliz e realmente não sabia qual era a definição de medo até aquele momento."
Após horas de caminhada, eles chegaram a um acampamento nas montanhas, onde a mulher de Mitchell, Wanda Barzee, os esperava.
As violações e torturas começaram desde o primeiro dia e prolongaram-se durante nove angustiantes meses, várias vezes por dia. Foi também drogada e acorrentada.
Após meses de buscas, Mitchell foi preso em 2003, na localidade de Sandy, depois de ter sido reconhecido por um casal. O sequestrador tinha sido descrito pela irmã de Elizabeth que estava com ela no quarto aquando do rapto.
O primeiro contacto que teve com a família Smart, tinha acontecido dois anos antes, quando pediu esmola num centro comercial e a mãe de Elizabeth teve pena e ofereceu-lhe uns trabalhos para fazer em casa deles.
O caso arrastou-se em tribunal durante 7 anos, pois foi sucessivamente adiado devido a discussões sobre a saúde mental de Brian.
Elizabeth sempre acompanhou o caso de muito perto.

                                                   Elizabeth Smart

Natascha Kampusch

Natascha Kampush, cidadã austríaca que ficou conhecida pelo seu sequestro no dia 2 de Março de 1998, quando tinha 10 anos de idade e que passou mais de oito anos em cativeiro numa cela na cave de casa do seu captor, Wolfgang Priklopil.
O rapto aconteceu quando ia a caminho da escola. Natascha escapou no dia 23 de Agosto de 2006.
A história chocou o mundo.
Cativa e isolada do mundo, da infância ao fim da adolescência, foi submetida a todo o tipo de humilhação psicológica e sexual, tortura física, privação de comida e luz.
Nos primeiros seis meses, não teve autorização de sair da cela em nenhum momento, não podia tomar banho a não ser numa pequena tina e não podia olhar ou falar com Wolfgang sem autorização.
Em Dezembro de 1999, com 21 meses de cativeiro, ela pôde respirar ar puro pela primeira vez, quando Priklopil a autorizou a passar alguns momentos no jardim de sua casa, à noite..
Natascha, muitas vezes dormia algemada na cama de Wolfgang a partir dos 14 anos.
Era obrigada a rapar o cabelo, passou fome, era obrigada a lavar, cozinhar, arrumar e limpar a casa quase nua. Quando o seu sequestrador resolveu remodelar a casa, Natascha foi o seu único operário.
Tentou três vezes o suicídio: pegou fogo a uns papéis na sua cela para morrer intoxicada com o fumo, tentou o estrangulamento com peças de roupa e cortou os pulsos, mas nunca conseguiu levar até ao fim os seus intentos.
O estado psicológico e o domínio mental que o seu sequestrador exercia sobre ela, impediram qualquer hipótese de fuga.
Depois de alguns anos de cativeiro, em que o mais longe que conseguia chegar, era o jardim da casa, Priklopil a levou ao mundo exterior, pouco antes de Natascha fazer 18 anos.
Foram a uma estação de esqui nas montanhas perto de Viena. Esta viagem foi cuidadosamente planeada, que a seu jeito tentava fazer uma vida normal com Natascha.
O sequestrador esteve sempre por perto da sua vítima, ameaçando-a que a mataria caso chamasse as atenções. Houve um momento em que Natascha foi ao wc e conseguiu falar com uma senhora que lá se encontrava, disse-lhe o seu nome e que estava sequestrada, pedindo-lhe ajuda. A senhora sorriu, virou costas e saiu.
Isso foi um duro golpe psicológico para Natascha que ficou com a certeza de ter sido esquecida pelo mundo. Mais tarde, soube-se que a senhora era holandesa e não tinha percebido o que Natascha lhe havia dito.
Nessa viagem, tentou por diversas vezes chamar a atenção das pessoas, mas nunca foi reconhecida.
No dia 23 de Agosto de 2006, Natascha estava no jardim a aspirar o carro de Wolfgang, quando ele recebeu um telefonema e se afastou por causa do barulho do aspirador. Natascha aproveitou a oportunidade, e sem desligar o aspirador, fugiu pelo portão do jardim que estava, pela primeira vez, semiaberto. Correu a pedir ajuda a quem encontrou pelo caminho e por fim, apareceu a polícia que a levou para a esquadra, terminando, assim, os 3.096 dias de cativeiro.
O encontro com a família foi feito em estado de choque e euforia, com risos, lágrimas e gritos.
Com a fuga de Natascha, Wolfgang fugiu de casa e encontrou-se com um amigo num centro comercial até ter a sua imagem capturada pelas câmaras de vigilância e ser reconhecido. No fim do dia, ao perceber que tinha toda a polícia no seu encalço, suicidou-se, atirando-se para a frente de um comboio.
Falhas graves ocorreram durante a investigação, pistas importantes foram negligenciadas: o depoimento de uma menina de 12 anos, Ischtar Akcan, que declarou ter visto Natascha ser sequestrada por um homem que a colocou dentro de uma carrinha branca, feito dois dias depois do sequestro, só começou a ser investigado duas semanas mais tarde e nunca foi pedido a Ischtar que fizesse uma descrição do homem que viu. Além disso, a polícia disse, através dos meios de comunicação social, que iam investigar várias carrinhas brancas da cidade.
Isto deu tempo a Wolfgang para se preparar ao encher a sua carrinha de entulho e quando foi visitado pela polícia, no 43º dia de cativeiro, contou aos agentes que estava a fazer obras em casa e utilizava a carrinha para o transporte do material. O seu álibi foi somente a sua declaração sobre o dia em questão em que afirmou não ter saído de casa.
A sua casa nunca foi revistada e cães pisteiros não foram usados durante a investigação.
Outra pista muito importante foi totalmente ignorada: dias após o sequestro, uma denúncia por telefone acerca de um indivíduo que teria uma carrinha branca de marca Mercedes, conhecido por ser um "lobo solitário" com dificuldades de relacionamento com a vizinhança que vivia numa casa com grades e alarmes, e que se supunha ter preferência sexual por crianças com cerca de 35 anos e 1,80m de altura. Esta denúncia levava directamente a Wolfgang Priklopil.
Natascha escreveu um livro, "3096 dias" em que conta com as suas próprias palavras os seus dias de cativeiro.

                                                                Natascha Kampusch
                                                       Wolfgang Priklopil

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Jaycee Lee Dugard

Jaycee Dugard tinha 11 anos quando foi sequestrada numa paragem de autocarro perto de sua casa quando se dirigia para a escola e sob o olhar impotente do padrasto que não conseguiu impedir que duas pessoas levassem a criança numa carrinha.
Tudo aconteceu no dia 10 de Junho de 1991 na localidade de South Lake Tahoe na Califórnia.
Jaycee permaneceu 18 anos sequestrada por Phillip Garrido, um agressor sexual que a manteve em cativeiro num barracão no quintal e do qual teve duas filhas, Starlet e Angel.
Foram as três libertadas em finais de Agosto de 2009 pela polícia na sequência de comportamentos estranhos do raptor.
Phillip teve a sua mulher, Nancy, como cúmplice e foram ambos condenados a prisão perpétua.
Jaycee trabalhava na empresa de Phillip e nunca revelou aos clientes qualquer indicação sobre o rapto. Aos clientes, foi apresentada como filha de Phillip sob o nome de Allissa. Fazia trabalho de secretária, lidava directamente com os clientes, tinha acesso a computador e telefone, mas nunca deu sinais de ter sido raptada ou de querer fugir.
"Ela era sempre muito educada e de bom carácter, nunca houve nenhuma razão para pensar que algo estaria errado", disse na altura um dos clientes da firma de Garrido.
As filhas de Dugard também saíram algumas vezes do complexo de tendas e barracões onde viviam com a mãe, mas nunca foram à escola, ao médico ou ao dentista.
Cheyvonne Moline, que trabalhou 10 anos com Phillip afirma que Starlet e Angel estiveram numa festa de aniversário da sua filha e que o comportamento era normal e eram educadas.
Peritos afirmaram que Jaycee, provavelmente, desenvolveu uma Síndrome de Estocolmo, em que as vítimas criam laços afectivos com os seus captores.
A mesma opinião teve Carl Proby, o padrasto de Jaycee que contou que a enteada se sentiu culpada por não ter tentado fugir. Carl disse: "depois de tanto tempo, as pessoas ligam-se e foi isso, provavelmente o que a manteve viva, o facto de todos se terem ligado emocionalmente, era quase como uma pequena família." Conta-nos também que as filhas de Jaycee reagiram mal e choraram quando o pai foi preso e a mãe teve de lhes contar que tinha sido sequestrada em menina.
A polícia chegou a ser informada, por duas vezes, de que havia movimentações estranhas na casa do raptor e apesar de ter estado no local, nunca efectuou buscas.
Ao que tudo indica, a primeira vez que a polícia esteve em casa dos Garrido foi em 2006, depois de ter sido alertada de que havia crianças no local, o que era suspeito, tendo em conta os antecedentes criminais do proprietário, que em 1975 já tinha sido condenado por violação e estava em liberdade condicional. Na altura, o agente da condicional esteve a falar com o suspeito, mas sempre na frente da residência, sem verificar o interior ou as traseiras, onde se encontravam Jaycee e as filhas.
Um episódio semelhante voltou a acontecer em 2008 em que a polícia esteve novamente no local sem nada encontrar, isto apesar do raptor sair em público com as vítimas em diversas ocasiões.



                                                 Jaycee Dugard com 11 anos
                                         
Phillip e Nancy Garrido

Ariel Castro, o sequestrador de Ohio

Michelle Knight, Amanda Berry e Georgina DeJesus, foram as três vítimas dos chamados sequestros de Cleveland, no estado do Ohio, Estados Unidos, ocorridos em 2002, 2003 e 2004 respectivamente.
As três, desaparecidas e mantidas em cativeiro por um período entre 9 a 11 anos por Ariel Castro, foram libertadas no dia 6 de Maio de 2013.
Michelle Knight foi a primeira a ser sequestrada no dia 23 de Agosto de 2002, com 21 anos.
Saiu de casa de uns primos para ir a uma audiência para tentar reaver a custódia do seu filho, Joey, e aceitou a boleia de Ariel Castro, que conhecia por ser o pai de uma grande amiga sua, Emily.
Foi atraída para casa de Castro sob um falso pretexto e lá permaneceu por 11 anos contra a sua vontade. Foi a mais abusada pelo sequestrador, sendo obrigada a sofrer múltiplos abortos, necessitou posteriormente de uma reconstrução facial e terá perdido a audição num ouvido.
Michelle permaneceu amarrada, ora na cave, ora num quarto trancado no piso superior.
A polícia reconheceu ter feito poucos esforços para a encontrar por acreditarem que sendo já adulta, teria fugido por não estar a conseguir reaver o filho.
Quando foi libertada tinha 32 anos de idade.
Amanda Berry juntou-se a Michelle no dia 21 de Abril de 2003, prestes a completar 17 anos, depois de sair do trabalho num restaurante de fast-food.
Também ela aceitou uma boleia de Castro que lhe disse ter um filho a trabalhar no mesmo restaurante.
Durante o seu tempo de cativeiro, teve uma menina que nasceu no dia 25 de Dezembro de 2006 e a paternidade do sequestrador foi confirmada por testes de ADN.
O parto da criança foi feito dentro de uma pequena piscina de plástico e contou com a participação de Michelle, que foi ameaçada de morte, caso o bebé morresse no parto.
Georgina DeJesus, ou Gina, desapareceu com 14 anos no dia 2 de Abril de 2004.
Gina era a melhor amiga de outra das filhas de Castro, Arlene.
Mais uma vez, Ariel ofereceu boleia, dizendo que a levava ao encontro da filha, mas levou-a para a mesma casa onde já se encontrava Michelle e Amanda.
As três jovens sofreram constantes abusos como espancamentos e violações e viveram muito tempo sem ver a luz do dia, mal alimentadas e amarradas com correntes e ameaçadas com uma arma caso fizessem algum tipo de ruído.
Aproveitando um descuido pouco comum de Castro, que saiu de casa sem trancar uma das portas interiores, Amanda, que não estaria amarrada na altura, correu até à porta principal que dava para a rua e gritou por socorro ao mesmo tempo que dava murros e pontapés na porta.
Os vizinhos e a polícia atenderam aos gritos.
A casa foi invadida por agentes que encontraram logo Amanda que estava acompanhada da filha e descobriram Michelle e Gina no piso superior.
As quatro foram encaminhadas para o hospital para avaliações médicas.
Ariel Castro foi preso pouco depois e confessou os sequestros em detalhe e se auto-descreveu como um homem de sangue frio, viciado em sexo e sem controle sobre os seus impulsos sexuais.
Também admitiu ser o pai da filha de Amanda Berry.
Com parte de um ritual macabro, no período em que manteve as três mulheres presas, ele comemorava as datas dos sequestros de cada uma com um bolo e as deixava ver na televisão as vigílias feitas por suas famílias.
Ariel Castro, um americano descendente de porto-riquenhos, conheceu a sua esposa, Grimilda Figueroa em 1980 e depois de casados foram morar para a casa que mais tarde serviu de prisão às jovens.
O casamento tornou-se violento e em 1993, Castro foi preso por violência doméstica, mas não foi indiciado pelo tribunal.
Em 1996, a mulher deixou-o com os quatro filhos do casal sob escolta policial.
Castro trabalhou 22 anos como motorista de um autocarro de transporte escolar, sendo depois demitido por mau comportamento e por colocar em risco, com a sua condução perigosa, as crianças que transportava.
Em 1 de Agosto de 2013, o seu julgamento foi transmitido em directo pela televisão e internet.
O juíz disse-lhe: " não há lugar para si nesta cidade, neste país ou neste mundo".
Michelle Knight foi a única que se apresentou em tribunal e depôs como testemunha de acusação e disse a Castro: "o meu inferno durou 11 anos, mas o seu está apenas a começar".
Ariel foi condenado a prisão perpétua, mais mil anos, sem direito a liberdade condicional por um total de 977 crimes, entre eles, sequestro, violação, maus tratos e homicídio por ter provocado os abortos em Michelle.
A casa que serviu de cativeiro foi demolida no dia 7 de Agosto de 2013 como acordo entre a defesa de Castro e o Ministério Público para evitar a pena de morte.
No dia 3 de Setembro, pouco mais de um mês depois de iniciar o cumprimento da pena, Castro enforcou-se na sua cela individual da prisão de Ohio.
Um de seus filhos, Anthony Castro, revelou que nas suas raras visitas ao pai, ele tinha sempre trancadas certas divisões.
Monica Stephens, ex-nora de Castro, diz que nunca se sentiu confortável ao pé dele.
Foi casada com Anthony e indicou nunca ter desenvolvido uma relação próxima com o sogro, devido às histórias que ouvia do marido e da sogra de como ele lhes costumava bater, os mantinha presos dentro de casa e de como os tratava como reféns.
Michelle Knight escreveu um livro, "Depois do inferno", onde nos conta detalhadamente toda a sua vida e tudo o que viveu nas mãos do "sujeito" juntamente com Amanda e Gina.
















                                                        Georgina DeJesus
                                                           Amanda Berry
                                                              Michelle KnightAriel Castro