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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Apneia do sono

A apneia do sono é um distúrbio do sono, potencialmente grave, em que a respiração pára e recomeça repetidamente.
Na maior parte das vezes, as apneias não são suficientes para despertar a pessoa, mas há uma alteração no padrão do sono, passando do sono profundo para um sono mais superficial.
Como este sono não é repousante, as manifestações típicas são uma sensação de noite mal dormida aquando o despertar, assim como a fadiga e a sonolência durante o dia.
O diagnóstico é confirmado por um estudo cardio-respiratório chamado polissonografia.
Existem três tipos de apneia do sono: a central, a obstrutiva e a mista ou complexa (central + obstrutiva).
Na central, a respiração é interrompida pela falta de esforço respiratório
Na obstrutiva, a respiração é interrompida por um bloqueio físico ao fluxo aéreo apesar do esforço respiratório.
Na mista ou complexa, há uma transição de características centrais para obstrutivas durante os eventos.
Em qualquer um dos tipos, o indivíduo com apneia do sono, raramente está consciente de que tem dificuldades para respirar, mesmo depois de acordado, sendo que a apneia é muitas vezes identificada por outras pessoas que testemunham os episódios durante o sono.
Na infância, pode ocorrer por hipertrofia do tecido linfóide das vias aéreas superiores (adenoides e amígdalas) ou mesmo por mal-formações congénitas.
Adolescentes e crianças com apneia têm um risco maior de problemas comportamentais e de aprendizagem.
A doença diminui a qualidade de vida da pessoa e aumenta a taxa de mortalidade, visto que pode favorecer o aparecimento de problemas cardiovasculares, como arritmias, insuficiência cardíaca e hipertensão, aumenta o risco de morte súbita por causa cardíaca e diabetes.
Os especialistas que podem diagnosticar a apneia são os clínicos gerais ou preferencialmente um otorrinolaringologista e somente em cirurgias para retirada dos adenoides e das amígdalas, ocorre a cura completa.
Consulte um profissional da saúde se apresentar ou se notar alguém com um ressonar muito alto, especialmente se for seguido por períodos de silêncio, se tiver falta de ar durante o sono, se houver pausas frequentes na respiração durante o sono ou sonolência excessiva durante o dia.



Como já referi no post anterior, o meu filho teve apneia do sono e foi operado com sucesso.
A recuperação do pós-operatório foi difícil, mas sem dúvida que valeu a pena.
Na terceira semana depois da operação, respirava tão baixinho e tão suavemente que às vezes eu julgava que ele não estava a respirar de todo. Costumava encostar bem o meu ouvido à boca dele para tentar ouvir a respiração durante o sono.
Uma coisa estranha que ocorre depois de uma operação deste género é na voz dos doentes que fica fina e esganiçada, mas volta ao normal logo que passam as dores.
Nunca teve problemas de aprendizagem ou comportamentais, sempre foi um querido e muito inteligente.
Passados quase 5 anos da operação, o sono do meu filho é tranquilo e descansado, não voltou a ter apneia.

Adenoamigdalectomia

Este nome estranho e comprido traduz-se na operação aos ouvidos, nariz e garganta.
É indicada quando a criança tem dificuldade em respirar e ressona devido ao crescimento das amígdalas e dos adenoides e fica com uma otite serosa que prejudica a audição.
O crescimento dessas estruturas ocorre, geralmente, após uma infecção vírica, como uma gripe, e quando não voltam a reduzir, as amígdalas na garganta e os adenoides, que são uma espécie de carne esponjosa que se localiza dentro do nariz, impedem a passagem do ar e aumentam a humidade dentro dos ouvidos, provocando um acumular de secreção que pode levar à surdez, se não for tratada.
Esta obstrução, por norma, provoca o ressonar e a apneia do sono, que é a paragem respiratória durante o sono, colocando em risco a vida da criança.
Normalmente, o aumento das amígdalas e adenoides regride até aos 6 anos, mas nos casos mais frequentes, entre os 2 e os 3 anos de idade, é indicada a cirurgia que é feita de forma simples, mas com anestesia geral e tem a duração de 30 a 45 minutos.
A retirada dos adenoides e das amígdalas é feita pelo nariz e pela boca sem necessidade de cortes na pele.
É também introduzido um tubo, chamado de tubo de ventilação no ouvido interno, para arejar o ouvido e drenar a secreção e é removido passados 12 meses.
Durante esse tempo, é aconselhável o uso de tampões nos ouvidos no mar, piscinas ou até mesmo quando se toma banho em casa para evitar que entre água.
A recuperação da cirurgia depende de criança para criança, podendo causar dores de garganta moderadas a intensas, sendo aliviadas com analgésicos prescritos pelo médico.
Nesta fase do pós operatório é importante que a criança coma gelados, iogurtes, gelatinas ou líquidos frios. Convém ser algo que não irrite a garganta da criança ou prejudique a sua cicatrização, como o pão.
Durante a semana seguinte à operação, a criança deve evitar frequentar espaços fechados e com muita gente e não deve ir à escola para evitar infecções.


Tinha um dos meus filhos 3 anos quando fez esta operação à garganta, ouvidos e nariz.
Já andava a reparar há algum tempo que o meu filho ressonava muito alto e além disso, havia paragens respiratórias durante o sono.
Decidi que iria falar com a pediatra dele durante a próxima consulta de rotina e assim fiz.
Encaminhou-me para o otorrinolaringologista que foi um anjo caído do céu.
O meu filho só conheceu este médico no momento antes de entrar para o bloco operatório, quando estávamos só os dois e o dr nos veio cumprimentar e dizer que ia correr tudo bem.
Em duas consultas que o meu filho teve com o otorrino, esteve sempre a dormir ( não descansava o suficiente durante a noite).
O exame que fez para confirmar a apneia foi uma mera pro-forma, uma vez que o médico assistiu ao vivo e a cores às paragens respiratórias dele e ao ressonar imenso.
Quando nos disse que a criança corria um sério risco de vida, é que me caiu a ficha.
A apneia pode provocar o aparecimento de problemas cardiovasculares e aumentar a morte súbita por causa cardíaca.
Agendou a cirurgia para a semana seguinte, pelo meio ainda teve uma consulta com uma anestesista.
No dia da operação, fiz-me de forte perante ele, mas assim que entrou para o bloco operatório, desfiz-me em lágrimas. Sabia que ia demorar cerca de 30 ou 45 minutos, mas passou mais de 1 hora e nada.
Assim que o vi sair do bloco, fui a correr e pude estar com ele na sala de recobro.
Não arredei pé para ele poder sentir a minha presença. Estava com os lábios e o nariz ensanguentados, além de inchados.
O cirurgião veio ter comigo ao recobro e disse que tinha corrido tudo muito bem e que não tinha sido necessário introduzir o tal tubo de ventilação, fizeram apenas uma grande limpeza aos ouvidos.
O acordar dele foi o pior!! Gritou tanto que ainda hoje, passados quase 5 anos da operação, ainda o ouço como se fosse ontem. Quanto mais gritava, mais lhe doía, e era isso que eu lhe dizia numa tentativa vã de o acalmar, mas com 3 anos, ele não percebia, e era a maneira dele me dizer que doía muito. No entanto, eu tinha-o preparado para a operação, disse-lhe tudo o que ia acontecer, mas naquela altura, ele mandou tudo isso às urtigas.
Aumentaram-lhe os analgésicos intra-venosos e passada 1 hora, fomos para o quarto.
A operação foi de manhã e ficámos no hospital o resto desse dia e saímos no dia seguinte perto das 15 h.
Já no quarto levaram-lhe 2 gelados que ficaram a derreter no tabuleiro, pois ele nessa altura não gostava de gelados. Trouxeram-lhe então uma espécie de pudim, mas ele nem sequer estava disposto a fazer um esforço, por isso não o comeu também. Só gritava, gritava....
Eu tinha levado para o hospital uns carrinhos do Faísca McQueen, os preferidos dele ainda hoje, e atirou-os pelo ar, tão danado que estava.
Depois de um bom par de horas nisto, lá acalmou e adormeceu. Já me tinham informado que isso iria acontecer, pois ainda estava sob efeitos da anestesia geral.
Eu estava em fraqueza, não tinha conseguido comer nada durante o dia todo, sentia-me prestes a desmaiar.
Ele acordou passados uns meros 30 minutos e aí já lá estava o irmão mais velho. Foi o único que o conseguiu distrair por breves minutos ao ponto dele não gritar. Eu pensei que o pior já teria passado, mas estava redondamente enganada!
Mal saiu o pai e o irmão (tinha acabado o horário das visitas) desatou num pranto!! Mais gritos e gritos e eu quase a desmaiar. Deitei-me ao lado dele na cama e lá ficou, muito inquieto a noite inteira.
No dia seguinte bem cedo, o cirurgião fez-nos uma visita, observou-o e disse que estava tudo bem. Ia dar-lhe alta à tarde. Deu-me o contacto dele de casa, do telemóvel e já tinha também o do consultório.
Disse-me para ter paciência, que iam ser duas semanas complicadas, mas a primeira mais do que a segunda. E foram as duas semanas mais longas da minha vida até aquela altura.
Todas as noites durante uma semana, o médico me ligou para saber a evolução.
Eu tinha de lhe dar analgésicos para as dores, mas tinha muitas dificuldades em conseguir que ele engolisse os xaropes e comecei a dar-lhe antes em supositório.
Ficou cerca de três semanas em casa protegido contra alguma infecção, mas claro, como ainda não frequentava a escola, "táva-se bem".
Uma das partes más, também foi o facto de ele querer comer e não conseguir. Via-se que o miúdo estava com fome, mas tudo lhe custava a passar na garganta, bebia uns iogurtes líquidos a muito custo. Para ele não ver, nós tínhamos de comer às escondidas dele. Era mesmo muito mau!
Na terceira semana já andava fresco e fofo.
Como cada caso é um caso, há crianças em que o pós-operatório corre muito bem, mas o meu filho passou quase duas semanas a gritar, dia e noite, mas eu nunca o deixei uma noite que fosse!
O meu marido, dizia-me muitas vezes que ficava ele com o menino para eu poder descansar, mas eu era e sou muito teimosa e nunca aceitei.
Coisas de mãe galinha!!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Mononucleose Infecciosa

É uma doença causada pelo vírus Epstein-Barr e é transmitida pela saliva e troca de outras secreções orais como os espirros e a tosse.
É vulgarmente conhecida como a doença do beijo.
Quase 90% dos adultos têm anticorpos específicos para este vírus e certamente um dos episódios de "gripe" que tiveram nas suas infâncias ou adolescências, foi antes mononucleose infecciosa.
A infecção inicial é pela saliva alheia e os sintomas só aparecem entre 4 a 8 semanas após contraída a doença e ela é mais contagiosa durante o seu estado agudo, ou seja, quando a pessoa ainda tem febre.
De entre os sintomas podemos destacar as dores de garganta, de cabeça, musculares, abdominais, febre alta (39º-40º C), mal estar, cansaço extremo, sonolência, aumento dos gânglios linfáticos do pescoço, perda de apetite e de peso, náuseas e vómitos e por vezes, hepatite moderada.
Em 50% dos casos, o baço e o fígado aumentam de volume, sendo que o baço é mais susceptível a lesões e complicações, como a ruptura do mesmo. Actividades físicas e grandes esforços devem ser evitados e mesmo algumas brincadeiras nas crianças.
Deve ser evitada também a partilha de alimentos, copos, talheres, garrafas e sobretudo não dar beijos durante as primeiras semanas da doença.
A infecção é controlada ao fim de alguns dias, mas o vírus, frequentemente, permanece por toda a vida da pessoa, escondido de forma latente em alguns linfócitos B (glóbulos brancos) originalmente infectados.
O diagnóstico é feito pela descrição dos sintomas, no entanto, estes não são específicos e assemelham-se aos das outras infecções, mas é confirmado por análises ao sangue e por um esfregaço à garganta.
É recomendado repouso às pessoas com mononucleose infecciosa até desaparecerem as dores de garganta, febre e sensação de mal estar.
Não há um tratamento específico para esta doença, mas paracetamol pode ser administrado para aliviar as dores e a febre.
Nenhum antibiótico contendo amoxicilina e outros derivados de penicilina pode ser administrado sob pena de agravar os efeitos da doença.

Informação adicional :
Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (www.spmi.pt)


Pois é, foi este o susto que um dos meus filhos me pregou há um ano atrás por altura do Natal.
Não sei como nem porquê, mas a mononucleose veio parar às nossas vidas sem pedir permissão.
Não era nada que não se pudesse tratar, mas como pouco conhecia a doença, fiquei assustada, ainda por cima, quando a notícia foi dada por uma médica, mais assustada do que eu, num serviço de urgência. Mas dei graças a Deus que o meu filho tivesse sido atendido por aquela médica, pois garanto que se fosse a pediatra dele, ainda hoje não sabia o que tinha sido aquilo e não teria tomado os cuidados necessários.
O meu filho ficou 1 mês em casa, sempre acompanhado, ora por mim, ora pelo pai.
Realmente, nenhum antibiótico foi receitado, mas sim Ben-u-ron e Brufen para alívio das dores de garganta e de barriga que ele tinha, para além de fazer baixar a febre altíssima.
Quando começou a melhorar destes sintomas, só queria brincadeira e eu sempre muito aflita para ele e o irmão não andarem nas "touradas" do costume. O baço inchou muito e o fígado também e essa era uma das preocupações dos médicos, pois análises foram feitas posteriormente para se ver a evolução e se nas primeiras estava tudo ok (dentro dos possíveis) nas seguintes já nem por isso, o fígado tinha aumentado para valores elevadíssimos.
O mal é que não havia mais nada a fazer, senão esperar, o corpo ia expulsar a doença.
Uma dieta rigorosa entrou em acção durante a doença: manteiga sem sal, ele odiava, por isso optei por uma light e punha muito pouca no pão ou torradas, uma vez que a gordura é do pior para o fígado, leite e iogurtes sem lactose (opção minha), cozidos e grelhados.
Nós comíamos a mesma coisa que ele, estávamos todos solidários.
O que é certo é que resultou e quando foi fazer análises novamente, o fígado já estava com os valores normalizados. Mesmo assim, ainda mantive a dieta durante mais algumas semanas.
Beijos e miminhos davamos-lhe muitos (e ainda hoje, claro) e nenhum de nós apanhou a doença.
Evitámos, porém, cumprimentar alguém com beijos na cara (nunca se sabe) e só dávamos apertos de mão.
A escola foi informada (muito importante, não esquecer) para os pais das outras crianças estarem atentos a possíveis sinais.
Acabou por correr tudo bem.

Obstipação intestinal e impactação fecal

Sei que este tema é um pouco incómodo devido ao "ingrediente" aqui tratado: as fezes; mas infelizmente esta é uma doença que afecta mais de metade da população mundial durante algum período da sua vida, podendo ocorrer em qualquer idade.
Só em Portugal, o tratamento da obstipação é responsável por mais de 50.000 consultas médicas por ano.
Estou a lidar bem de perto com esta doença através de um dos meus filhos e desengane-se quem pensa que esta é uma doença fácil de tratar.
Há duas semanas, dei com o meu filho deitado no chão do quarto a chorar muito com dores de barriga e de imediato o levei a um centro de saúde com atendimento permanente.
Fizeram-lhe um raio x simples ao abdómen. Quando veio o resultado, o médico que primeiro atendeu o meu filho, perguntou-me: "Para que hospital quer ir?" Caiu-me tudo!! Fiquei especada sem conseguir interiorizar o que aquilo sugeria.
Fez uma cartinha com a transferência para um hospital. Lá chegados, o médico das urgências que o viu, também ficou assustado quando viu o raio x, tinha impactação fecal, os intestinos estavam cheios de fezes e ainda para complicar mais, tinha muitos gazes acumulados. Não havia ele de ter dores insuportáveis!!!????
Neste hospital deram-lhe um clister para ver se "amansávamos" o problema por ali sem necessidades de um tratamento mais invasivo.
Mal lhe deram o clister, o meu filho foi a correr para a casa de banho. Foi tiro e queda!
No entanto, aconselharam-me a ir a uma consulta de gastroenterologia e até me deram o nome de uma médica especialista.
 Na semana passada, esta médica mandou fazer outros exames complementares de diagnóstico, como as análises clínicas ao sangue e às fezes e um Teste de Hidrogénio Expirado com Lactose, para se saber a tolerância à lactose, pois, por vezes, a obstipação pode estar associada à intolerância à lactose (leite e seus derivados).
Embora saibamos o que ele tem, temos de saber o porquê de o ter e como prevenir e evitar que volte a ter. É muito doloroso e incómodo, principalmente para uma criança.


O que é a obstipação? 
Uma pessoa saudável apresenta um trânsito intestinal razoavelmente regular e as fezes são eliminadas do organismo com facilidade, sem muito esforço ou desconforto.
No cólon saudável, uma parte da água é extraída das fezes, mas se for demasiada a água a ser extraída, as fezes permanecem tempo excessivo no cólon, desidratam e endurecem.
Na obstipação, a frequência das dejecções é menor do que a esperada e aí as fezes tornam-se duras, secas e difíceis de expelir.
Alguns dos factores que mais contribuem para a obstipação, podem incluir uma alimentação pobre em fibras, pois são necessárias cerca de 25 a 30 g de fibras diariamente para amolecer as fezes e normalizar o trânsito intestinal. As fibras podem ser encontradas nos cereais, nas ervilhas, favas, feijão-frade, amêndoas com casca e em alguns frutos como o maracujá, maçãs, pêras, tangerina, uvas, morangos, etc.
Outros dos factores são a ingestão insuficiente de líquidos para ajudar a prevenir a desidratação e o endurecimento das fezes. A água, sumo, leite são alguns desses líquidos, mas a sopa e guisados também o têm.
O exercício físico regular também é necessário para promover a contracção normal dos músculos da parede intestinal.
Ignorar a vontade de defecar ou adiar a ida à casa de banho é outro factor muito importante, pois se a pessoa evacuar logo que sente vontade, reforça o reflexo nervoso normal, o que ajuda na eliminação das fezes com mais facilidade. Às vezes a vontade é ignorada por não termos acesso a um wc, mas este adiamento repetido leva à perda do automatismo de defecar, conduzindo a problemas de obstipação.
O uso prolongado de laxantes torna o intestino dependente destes medicamentos para o seu regular funcionamento.
Quando a pessoa sente dor ou desconforto anal, pode, por vezes, reprimir a vontade de defecar, acabando também por desenvolver obstipação.
As manifestações clínicas incluem: menos de três dejecções por semana; fezes duras associadas a defecação dolorosa ou difícil; necessidade de um esforço excessivo para defecar; sensação da dejecção não ter sido completa.
Ocasionalmente, a obstipação crónica evolui para um impacto fecal, que consiste na obstrução do intestino grosso (cólon) por uma massa de fezes que já não consegue ser impulsionada pelos movimentos intestinais. O impacto fecal pode causar dores e vómitos e uma pessoa com este problema, pode precisar de um tratamento urgente ou até mesmo de internamento hospitalar.
Esta massa de fezes chama-se fecaloma.
Os sintomas da impactação fecal incluem: fezes líquidas que passam em volta da massa de fezes impactadas e podem ser confundidas com diarreia (falsa diarreia); dores abdominais, especialmente após as refeições; vontade persistente em defecar; náuseas e vómitos; dores de cabeça; falta de apetite e perda de peso; mal-estar geral; se o problema não for tratado, pode surgir desidratação, taquicardia, respiração rápida, agitação, febre, confusão mental e incontinência urinária.
Podem ser tomadas medidas preventivas tais como um aumento da ingestão de líquidos e do conteúdo de fibras na dieta e a prática de exercício físico.
Se estas medidas não forem eficazes, deve consultar-se um médico.
Se para além da obstipação. apresentar sangue nas fezes, dores abdominais ou distensão abdominal, deve procurar imediatamente um médico.
Se os sintomas indicarem a possibilidade de existir um impacto fecal, o médico poderá confirmar este diagnóstico através de um raio x simples do abdómen, análises ao sangue e outros exames.
As pessoas com idade igual ou superior a 50 anos apresentam uma maior probabilidade de desenvolverem pólipos ou cancro do cólon. A obstipação que aparece de novo pode ser um sintoma dessas doenças, pelo que o seu médico poderá mandar fazer uma colonoscopia que examina todo o cólon.
Se apresentar sintomas desconfortáveis de obstipação, é razoável recorrer a um tratamento com laxantes para evacuar, mas sempre por indicação médica.
Os clisteres também são usados no tratamento da obstipação e estão à venda em farmácias podendo ser adquiridos sem receita médica.
Fonte: Harvard Medical School Portugal (www.hmsportugal.wordpress.com)
Para informação adicional:
Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (www.apmgf.pt)
Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (www.spg.pt)
Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (www.sped.pt)

Hoje já fui com o meu filho fazer análises ao sangue e às fezes e vou aguardar ansiosamente pelos resultados. Estou também à espera da resposta de duas clínicas para fazer o Teste de Hidrogénio Expirado com Lactose, pois nem todas as clínicas o fazem. Perguntei a quatro clínicas se faziam o exame; duas já me disseram que não, aguardo resposta das outras duas, enquanto procuro outras clínicas.
Gostaria de fazer o exame antes do Natal, mas já estou a ver que não vai ser possível.
Por falar em Natal, lembro-me que no ano passado, por esta altura, este mesmo filho já me deu preocupações quando lhe foi diagnosticada Mononucleose Infecciosa!!
Mas desta outra doença falarei num outro post.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Hérnia diafragmática congénita

O diafragma é uma fina camada de tecido muscular que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. É o músculo que o corpo usa para respirar.
Quando uma criança tem hérnia difragmática congénita (HDC), significa que há um orifício nessa camada.
Quando isso acontece, o conteúdo do abdómen pode passar por esse orifício para a cavidade torácica.
A HDC pode ser diagnosticada durante um exame rotineiro de ecografia.
Se não for diagnosticada durante a gravidez, em geral ocorre logo após o nascimento quando o bebé apresenta dificuldades respiratórias.
A perspectiva para os bebés que nascem com HDC, é cada vez mais positiva com as novas técnicas cirúrgicas e maneiras de assistir o bebé, contudo, é possível que tenha problemas prolongados e precise de acompanhamento depois da alta hospitalar.
Quando a hérnia se pronuncia ainda na vida intra-uterina, ela impede o desenvolvimento normal do pulmão no lado afectado, prejudicando também o crescimento do outro pulmão.
Quando os pulmões não se desenvolvem completamente, a criança irá ter problemas respiratórios.
Existem dois tipos de hérnia diafragmática: Bochdalek e Morgagni.
A hérnia de Bochdalek, que se traduz num orifício na parte de trás do diafragma e que ocorre no período intra-uterino, promovendo a diminuição do crescimento do pulmão do lado afectado, e pode ter associação com doenças cardiológicas e neurológicas.
90% das HDC são deste tipo.
A hérnia de Morgagni envolve um orifício na parte da frente do diafragma e se ocorrer no período intra-uterino, pode haver comprometimento do pulmão, mas se for detectada somente depois do nascimento, a gravidade é bem menor e pode ser corrigida  cirurgicamente sem maiores riscos.
Embora as causas da Hérnia Diafragmática Congénita não sejam conhecidas, os cientistas acreditam que vários genes de ambos os pais, bem como uma série de factores ambientais que ainda não são totalmente compreendidos, contribuem para a HDC.
Quando os orgãos do abdómen impedem os pulmões de crescer adequadamente, o pequeno crescimento do pulmão é chamado de hipoplasia pulmonar e quando isso acontece, a criança é incapaz de conseguir oxigénio suficiente para conseguir respirar.
De entre os possíveis sintomas para a criança com hérnia diafragmática de Bochdalek, podem incluir a dificuldade em respirar, respiração rápida, frequência cardíaca alta, cor azulada da pele, desenvolvimento anormal do peito (um lado é maior do que o outro) e uma cavidade acentuada na zona do abdómen.
O bebé com hérnia difragmática de Morgagni pode ter sintomas ou não.
Cada criança com HDC é única, de modo que o tratamento pode variar com base no nível de gravidade.
Quando o bebé nasce, por norma é levado para os cuidados intensivos neonatais e é provavelmente colocado com um ventilador que faz o trabalho que o coração e os pulmões deveriam estar a fazer até a condição do bebé estabilizar.
Depois é submetido a uma cirurgia para reparar a hérnia diafragmática e colocar os orgãos no seu devido lugar. mas mesmo assim os pulmões do bebé continuam subdesenvolvidos e precisa ainda de assistência respiratória durante um determinado período de tempo após a cirurgia.
Uma vasta equipa de médicos especialistas em cuidados fetais podem ajudar na conduta durante a gravidez e o parto, bem como no tratamento pós-natal.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Síndrome de Munchhausen

A síndrome de Munchhausen é uma doença psiquiátrica em que o paciente, de forma compulsiva, deliberada e contínua, causa, provoca ou simula sintomas de doenças, sem que haja vantagem óbvia para tal atitude, que não seja a de obter cuidados médicos ou de enfermagem.
Nesta síndrome, a pessoa afectada exagera ou cria sintomas, nela mesma, para ganhar atenção, tratamento e simpatia.
Em alguns casos extremos, pessoas com esta síndrome, estudam a fundo alguma doença para conseguir produzir os sintomas com maior precisão.
Por exemplo, pode injectar nas veias um material infectado, causando uma infecção.
Alguns dos sintomas:
Os sintomas encaixam-se perfeitamente na descrição clássica da doença relatada, mas a resposta aos tratamentos é ineficiente; ânsia de se submeter a diferentes exames e procedimentos; histórico médico e pessoal incoerente; consultar diferentes médicos e hospitais, algumas vezes fora da sua área; profundo conhecimento da doença e dos procedimentos hospitalares; recusa em deixar os médicos falarem com familiares ou amigos; transtornos psicológicos, especialmente os relacionados a carência afectiva, teatralidade e insegurança.

Existe um outro tipo desta síndrome, chamada de Síndrome de Munchhausen por Procuração.
Este caso ocorre quando um parente, quase sempre a mãe, de forma persistente ou intermitente produz, simula ou inventa, de forma intencional, sintomas em seus filhos, fazendo com que estes sejam considerados doentes, ou provoca activamente a doença, colocando-os em risco e numa situação que requeira investigação e tratamento.
Às vezes existe, da parte da mãe, o objectivo de obter alguma vantagem para ela, por exemplo, conseguir a atenção do marido para ela ou se afastar de uma casa conturbada pela violência.
Nas formas clássicas, entretanto, a atitude de simular ou produzir a doença, não tem nenhum objectivo lógico, parecendo ser uma necessidade intrínseca ou compulsiva de assumir o papel de doente ou da pessoa que cuida de um doente.
O comportamento é considerado compulsivo, no sentido de que a pessoa é incapaz de abster-se desse comportamento, mesmo quando conhecedora ou advertida dos seus riscos.
Apesar de compulsivos, os actos são voluntários, conscientes, intencionais e premeditados.
A doença é considerada uma grave perturbação da personalidade, de tratamento difícil e prognóstico reservado. Estes actos são descritos nos tratamentos de psiquiatria como distúrbios factícios.
Induzir a Síndrome de Munchhausen num filho é uma forma de abuso infantil.
Além da forma clássica em que uma ou mais doenças são simuladas, existem duas outras formas de Munchhausen: as formas toxicológicas e as por asfixia em que o filho é repetidamente intoxicado com alguma substância (medicamentos) ou asfixiado quase até à morte.
Frequentemente, quando o caso é diagnosticado ou suspeitado, descobre-se que havia uma história com anos de evolução: quando existem outros filhos, em 42% dos casos, um outro filho também já sofreu o abuso.
Alguns adolescentes apresentam quadro de Munchhausen muito similares aos apresentados por adultos.
À medida que a criança cresce, há uma tendência de que ela passe a participar na fraude e a partir da adolescência tornam-se portadores da Síndrome de Munchhausen clássica típica, em que os sintomas são inventados, simulados ou produzidos nela mesma.
O tratamento psicoterapêutico e médico devem centrar-se no distúrbio psiquiátrico que desencadeou a síndrome, sejam transtornos do humor, transtornos de ansiedade ou de personalidade ou outro.
O prognóstico do paciente depende do transtorno psicológico. Depressão e ansiedade, geralmente respondem bem a antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental, enquanto transtornos de personalidade podem levar anos de tratamento psicoterapêutico, sendo que em tais casos, a medicação se resume a diminuir alguns sintomas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Síndrome de Estocolmo

A síndrome recebeu este nome em referência ao famoso assalto ao Kreditbanken em Norrmalmstorg, Estocolmo, que durou de 23 a 28 de Agosto de 1973.
Nesse acontecimento, as vítimas continuaram a defender os seus raptores, mesmo depois dos dias de sequestro terem terminado e mostraram um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. Os reféns chegaram mesmo a usar o seu próprio corpo como escudo para proteger os criminosos.
A síndrome de Estocolmo é o nome dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade perante o seu agressor.
As vítimas começam por se identificar emocionalmente com os sequestradores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e violência.
As tentativas de libertação são vistas como uma ameaça, porque o refém pode correr o risco de ser magoado.
É importante notar que os sintomas são consequência de um stress físico e emocional extremo.
O complexo e dúbio comportamento de afectividade e ódio em simultâneo junto dos raptores é considerado uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.
É importante observar que o processo da síndrome ocorre sem que a vítima tenha consciência disso.
A mente fabrica uma estratégia ilusória para proteger a psique da vítima.
A identificação afectiva e emocional com o sequestrador acontece para proporcionar afastamento emocional da realidade perigosa e violenta a qual a pessoa está sendo submetida.
Entretanto, a vítima não se torna totalmente alheia à sua própria situação, parte da sua mente conserva-se alerta face ao perigo e é isso que faz com que a maioria das vítimas tente escapar do sequestrador num dado momento, mesmo em casos de cativeiro prolongado.
O caso mais famoso foi o de Patty Hearst, que desenvolveu a doença em 1974, após ser sequestrada durante um assalto a um banco. Depois de libertada do cativeiro, Patty junto-se aos seus raptores e tornou-se cúmplice noutros assaltos.
A síndrome pode ser desenvolvida em vítimas de sequestro, cenários de guerra, sobreviventes de campos de concentração, pessoas vítimas de violência doméstica ou que são mantidas em cativeiro pelos próprios cônjuges, mas continuam a amá-los e a defendê-los como se as agressões fossem normais.
Por isso, continuamos a ter tantas vítimas sem voz.

Síndrome de Lowe

A síndrome de Lowe é uma doença muito rara, hereditária e que está associada ao cromossoma X.
Esta doença causa problemas mentais e consequentemente vários problemas de saúde.
Por ser rara e a incidência de casos muito pequena, esta síndrome não é muito divulgada e muito menos conhecida pela maioria da população.
Esta síndrome é causada devido ao mau funcionamento de um gene, o qual resulta de um déficit da enzima que se chama phosphatidylinositol 4,5 - biphosphase. Esta enzima é extremamente essencial para o metabolismo de uma parte da célula que se chama aparelho de Golgi.
As funções celulares são reguladas pelo aparelho de Golgi, que por estar debilitado não são reguladas normalmente, conduzindo, assim, a complicações como os problemas ao nível ocular, que são as cataratas congénitas, glaucoma, crises de epilepsia, raquitismo, pois a criança não se desnvolve normalmente e tem também uma grande fragilidade óssea, obtendo, assim, ossos mais vulneráveis a traumatismos, tónus muscular fraco e atrasos no desenvolvimento motor. Atrasos mentais podem variar de pessoa para pessoa, ou seja, uns mais acentuados do que outros, mas muitos apresentam distúrbios comportamentais.
A síndrome é transmitida pela mãe e afecta somente pessoas do sexo masculino, uma vez que as mulheres só são portadoras do gene, mas não o desenvolvem.
Uma criança ou jovem com esta doença deve ser encaminhada para uma escola de ensino especial, a fim de possibilitar uma aprendizagem mais individualizada e acompanhada.
Estas crianças devem ser estimuladas de diversas formas como terapias da fala, apoio psicológico, natação ou outras actividades aquáticas, fisioterapia, terapias ocupacionais, autonomia pessoal e social, etc.
O envolvimento dos técnicos e dos professores é de extrema importância para o desenvolvimento das crianças portadoras desta doença.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Síndrome de Chediak-Higashi

A síndrome de Chediak-Higashi é uma doença rara que afecta vários sistemas do corpo, principalmente as células do sistema imune, levando-as a uma incapacidade de lutar contra vírus e bactérias.
Muitas pessoas com esta síndrome têm infecções graves repetidas e persistentes começando na infância, e poucos pacientes chegam à idade adulta.
Muitas das crianças com esta doença atingem um estágio conhecido como fase acelerada desencadeada por uma infecção viral. Nesta fase, os leucócitos defeituosos dividem-se incontrolávelmente e invadem muitos orgãos do corpo com ocorrência de febre, episódios de sangramento anormal, infecções recorrentes e falhas em alguns orgãos.
Menos de 200 pessoas no mundo foram identificadas com este distúrbio genético, todas elas albinas.
O diagnóstico é feito através de um exame feito juntamente com exames laboratoriais e de  imagem.
Não existe um tratamento específico, embora o transplante de medula óssea  já tenha mostrado bons resultados em alguns pacientes.
A doença acomete não só seres humanos, mas também algumas espécies de animais como bovinos, tigres brancos, gatos persas azuis e orcas albinas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ictiose Arlequim

Raro distúrbio genético da pele.
A sua principal característica é o engrossamento da camada de queratina (proteína fibrosa) na pele fetal. O recém-nascido é coberto por placas de uma pele grossa que racha e se parte.
As placas podem esticar, repuxar a pele do rosto e distorcer as características faciais, assim como restringir a capacidade de respiração e alimentação.
A partir do momento em que a pele racha, deixa de exercer a sua principal função, a de proteger, facilitando assim a contracção de infecções letais ao portador da doença, a partir da penetração de bactérias e outros agentes contaminadores através das fissuras.
Cerca de 1 em cada 10 milhões de nascimentos podem ser afectados por este distúrbio e eram poucos os bebés que chegavam a completar 1 ano de idade.
Uma das excepções à regra foi Hunter Steinitz, conhecida como a menina de plástico.

Fibrodisplasia Ossificante Progressiva

A FOP é uma doença genética que causa a formação de ossos no interior dos músculos, tendões, ligamentos e outros tecidos, restringindo progressivamente os movimentos.
O corpo não produz só muitos ossos, mas todo um esqueleto extra, aprisionando a pessoa.
Não há cura e a esperança média de vida é de 40 anos. Afecta 1 em cada 2 milhões de pessoas.
A descoberta do gene e da mutação que provoca a FOP, por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, proporciona um alvo mais específico para o desenvolvimento futuro de um medicamento que não se limite a tratar os sintomas, mas sim a própria doença.

Doença de Lobstein

Doença dos ossos de origem genética.
Os doentes nascem sem a proteína necessária, o colágeno ou sem a capacidade de a produzir.
Desta forma, os ossos ficam extremamente frágeis e quebradiços.
Crianças que já nascem com fracturas, não costumam sobreviver por muito tempo.
As que sobrevivem, sofrem diversas fracturas toda a sua vida e não crescem como uma criança normal. A capacidade mental e motora não é afectada.
A falta de colágeno não afecta só os ossos, mas também a pele e vasos sanguíneos.
Cerca de 1 em cada 25.000 nascimentos são afectados pela doença.
Os ossos são tão frágeis que uma pequena queda ou pancada, ou até mesmo um movimento brusco, é o suficiente para a sua quebra.
A doença foi apelidada de doença dos ossos de vidro e já inspirou dois livros, um de Ana Simão, " A menina dos ossos de cristal" e outro de Jodi Picoult, "A menina de vidro", onde nos contam a história de duas meninas, Inês e Willow, que sofriam desta enfermidade.
A osteogénese imperfeita pode ser diagnosticada na gravidez através de uma ecografia.
Não há cura para a doença. As fracturas são tratadas pelos métodos habituais com a redução e imobilização do osso. As fracturas cranianas podem levar a lesões cerebrais e à morte.

Síndrome X

Ainda não há um nome científico para esta doença, daí os médicos chamarem-lhe síndrome x.
Aos 2 anos de idade, os pais de Brooke Greenberg, começaram a perceber que algo de errado se passava com o desenvolvimento da sua filha.
Os cientistas acreditam que entender a situação de Brooke, seria uma chave para entender aspectos desconhecidos do ADN humano e descobrir porque, geneticamente, as pessoas envelhecem, ou neste caso, deixam de envelhecer.
Brooke, a incrível menina que não envelhece, que faleceu aos 20 anos, mas permaneceu no corpo de um bebé com 9 meses.
Alguns testes efectuados, indicaram que ela pode ter sofrido alguma mutação genética que parou a sua capacidade de amadurecer.
Brooke manteve o mesmo tamanho por, pelo menos, 15 anos, e precisava de cuidados 24 h por dia, pois não falava, não andava e era alimentada através de uma sonda.
As complicações eram terríveis, fez várias cirurgias, teve acidente vascular cerebral, convulsões, tumor cerebral e entrou em coma.

Cancrum Oris

Também conhecida como Noma, esta doença é  quase exclusivamente encontrada em crianças desnutridas nos países mais pobres do mundo.
Trata-se de uma gangrena mortal que corrói a carne ao redor da boca, alastrando-se por toda a face e atinge maioritariamente crianças até aos 6 anos de idade.
A taxa de mortalidade é elevada, entre os 70 a 90 %, mas aqueles que sobrevivem, passam o resto dos seus dias a serem rejeitados pela sociedade.
À medida que a gangrena destrói a carne, e por vezes os ossos, vai-se formando uma crosta  que irá cair e deixar imensos buracos no rosto.
Uma higiene oral adequada, saneamento básico eficiente e água potável, podem ser uma mais valia no combate à doença.
A deformação causada pode ser permanente se não for efectuada uma cirurgia plástica de reconstrução a fim de melhorar significativamente o aspecto do doente.

Síndrome da Proteus

Doença congénita caracterizada por um crescimento excessivo da pele, ossos, músculos, tecido adiposo e vasos sanguíneos e linfáticos. Tumores subcutâneos são desenvolvidos, para além de outras anomalias cranianas. Também se manifesta através de um gigantismo das mãos ou pés ou de ambos.
Estima-se que existam cerca de 200 casos em todo o mundo.
O primeiro caso conhecido foi o de Joseph Merrick. A sua deformidade começou a desenvolver-se aos 3 anos de idade com a formação de pequenas calosidades no lado esquerdo do corpo.
Faleceu com 27 anos. A sua história inspirou um filme; "O Homem Elefante".
Outro caso conhecido é o de Sain Mumtaz, um jovem paquistanês.
Os ossos da sua cabeça crescem de forma anormal, o que o deixou desfigurado, com vários problemas de saúde e com dificuldades em se deslocar. Apesar disso, os familiares e amigos deram-lhe todo o apoio.
Não existe tratamento, mas várias cirurgias podem ser feitas, visando retirar o excesso de pele, tumores ou até mesmo os membros afectados.
É importante tratar o aspecto físico, mas também o psicológico, para o paciente ter uma melhor qualidade de vida de modo a permitir o convívio social, pois normalmente as pessoas que sofrem desta doença, são muitas vezes estigmatizadas e excluídas da sociedade.

Insónia familiar fatal

Como o nome indica, esta é uma doença hereditária que se manifesta mais frequentemente entre os 30 e os 60 anos de idade e que afecta uma proteína do cérebro, causando uma insónia incurável, ataques de pânico, medos, paranoias, alucinações, emagrecimento súbito, demência e perda total do contacto com a realidade.
Numa fase mais avançada da doença, o paciente começa por fim a sucumbir, entrando num estado de coma e levando-o à morte.
O diagnóstico é feito através de um electroencefalograma que mostra o estado de vigília permanente do cérebro.
É muito frequente entre membros da mesma família e estima-se que haja cerca de 30 famílias, afectadas com a doença, em todo o mundo, maioritariamente na Europa.
Não há tratamento, uma vez que a toma de medicamentos parece agravar o quadro clínico.

Argíria

Também conhecida como a doença azul, é caracterizada por causar a mudança da cor da pele e de certos orgãos, devido à exposição excessiva e prolongada à prata ou seus sais, através do contacto com a pele, ingestão ou inalação.
O contacto muito frequente de trabalhadores envolvidos na extracção deste metal que diariamente ficava impregnado na pele e era absorvido pela respiração, contribuiu para o aparecimento desta doença.
Houve uma época em que a ingestão de prata coloidal, era tida como um poderoso medicamento na eliminação de bactérias, germes, fungos e vírus.
O sintoma principal é a coloração azulada permanente na pele.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Narcolepsia

É caracterizada por episódios irresistíveis de sono.
O sintoma mais comum é a preguiça e a sonolência diurna excessiva, o que deixa o paciente em perigo, principalmente na realização de certas tarefas, como conduzir.
Tem dificuldades de concentração, quer na escola, no trabalho ou mesmo em casa.
É comum os portadores da doença, viverem sem um diagnóstico adequado e são etiquetados pelos que os rodeiam de dorminhocos ou preguiçosos.
Segundo os médicos, a síndrome de Kleine-Levin não tem relação com a narcolepsia, pois esta é uma desordem para a vida toda.
Os pacientes têm dificuldade permanente em permanecer acordados.
Para o alívio da narcolepsia, podem ser administrados diversos medicamentos como as anfetaminas, mas devem ser sempre acompanhados pelo seu médico, pois pode ser necessário ajustar a dosagem para prevenir os efeitos secundários, como os tremores, hiperactividade ou a perda de peso.

Hemolacria

O acto de chorar sangue.
Condição rara que está até aos dias de hoje envolta em mistério.
Os médicos desconhecem as causas, mas admitem que podem estar relacionadas com coágulos de sangue, tumores próximos dos olhos ou até uma infecção.
Sabe-se que é comum em pessoas que sofreram traumas intensos ou que tiveram ferimentos na cabeça, mas muito raramente acontecem casos sem uma causa óbvia, como é o caso de Calvino Inman, um jovem que sofre da doença e que vive na esperança que os especialistas saibam qual é o problema e impeçam que aconteça novamente.
No hospital, Calvino passou por uma série de exames, mas não foi detectada qualquer anomalia.
Os médicos dizem que talvez seja necessário aguardar por outros sintomas para descobrir a causa do fenómeno.

Febre Kuru

Doença rara, mas de certa forma, mais comum no continente africano, onde existia a prática de canibalismo, nomeadamente em certas tribos.
É neurológica degenerativa e provoca tremores parecidos com ataques epilécticos e um riso histérico, sendo também conhecida como a doença do riso.
A pessoa afectada começa a perder peso e a fala, acabando num estado comatoso, levando o indivíduo à morte em pouco tempo devido às lesões causadas no cérebro.
Algumas tribos africanas consumiam os cérebros de indivíduos falecidos, e infectados com a doença, com o objectivo de adquirir sabedoria.
Desde que o canibalismo começou a ser proibido em todo o mundo, os casos desta doença têm desaparecido.